segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Contos da madrugada tardia... Escuta... o vento...

A noite está calma... apesar da chuva... Algumas nuvens povoam o céu, sem que, no entanto, sejam suficientes para esconder a lua em quarto minguante... Está uma temperatura amena, de final de verão... com o senão do vento forte que sopra do oceano... Há, com certeza, tempestade no mar alto que o empurra para terra firme... para este pequeno espaço recôndito na costa ocidental da Europa continental... É um vento antigo... nota-se pelo soprar... pelos sons... pelos ecos...  Trás memórias de outros tempos... de outras eras... Recordações... palavras... preces... sons... representações... Trás com ele o espírito ancestral que reinou nos primórdios da Humanidade... que vogou sobre os áridos desertos e pelas extensas planícies geladas... que ajudou o hominídeo a erguer-se e a ganhar consciência de si... que esboçou sentimentos... e os incutiu no coração humano... Escuta... o silêncio da noite... O vento... O vento...  O vento que trás consigo aquele espírito primeiro...  segredos antigos... paixões secretas... revelações escaldantes... O mesmo espírito  primordial que uniu Orfeu e Eurídice... Abelardo e Heloísa... Tristão e Isolda... Sha Jan e Aryumand... Carlos e Helena... Anna Karenina e Vronsky... Pedro e Inês... Napoleão e Josefina... Escuta... o vento... O silêncio da noite... o vento.... São sons quase indistintos que emergem do seu ventre tumultuoso... nomes... imagens... faces... palavras... Não ouças... Escuta apenas... o vento... Ele fala-te de um grande amor... de sentimentos profundos... de uma ternura ilimitada... de uma paixão infinita... Escuta... não ouças... Escuta apenas... No silêncio da noite... escuta... o vento... Ele fala... Ele fala-te... Fala-te... de mim...
6/12/2012

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