quinta-feira, 12 de junho de 2014

Peregrinação a Fátima 2014 - Primeiro dia


Pouco passava das 5:15 quando partimos do Largo da República, em Sacavém, no dealbar do oitavo dia do mês de Maio, 2013 anos depois da morte de Jesus Cristo. Foi o início da Peregrinação a Fátima de um grupo de caminhantes que, munidos da sua inabalável fé, percorre, anualmente, as estradas portuguesas até ao Santuário Mariano da Cova da Iria.
Contados a dedo éramos 18, número que, na mística cabalística, está  associado ao poder de vontade da alma que cumpre os preceitos de Deus,  e, ao fazê-lo, O regozija. Como Deus há só um e os códigos da Tora podem ser espelhados por todo o universo não judaico, é possível encontramos, neste número, um paralelismo com o contentamento e a satisfação de Nossa Senhora no momento em que os seus filhos iniciavam este percurso, não pela dificuldade, pelo sofrimento ou pela penitência que a ele (percurso) estão associados, mas, antes, pela inequívoca manifestação de crença, de fé e de esperança.
Logo após os primeiros passos, a passagem sobre a ponte do Rio Trancão  marca a despedida da cidade, das suas luzes... das suas sombras... das suas gentes... Sacavém... povoação milenar... cuja origem se perdeu nas memórias do tempo e que ganhou a sua identidade própria em torno de lendas (da ponte romana à mítica Batalha de Sacavém),  crenças (entre a proteção de Santo André ao leprosário e a  intervenção de Nossa Senhora da Saúde na grande peste), factos (da greve dos rapazes à marcha da fome das mulheres), instituições (do Convento de Nossa Senhora dos Mártires à Fábrica da Loiça)  e personalidades (de Eduardo Gageiro ao Padre Filinto Ramalho), que marcaram a sua História e representaram as pessoas anónimas que labutaram de sol a sol, por melhores condições de vida, primeiro na agricultura, depois na indústria e, nos dias de hoje, um pouco por todos os setores de atividade económica... Gente simples, gente honrada, gente que pugna pela dignificação do seu espaço, que se quer, cada vez mais, como "Uma referência a Oriente"...
O início desta caminhada é sempre algo de novo, iniciático, original. Por muitos quilómetros, ou anos de experiência, se tenham nas pernas, existe sempre uma pontinha de ansiedade, uma certa tensão interior que faz dos momentos que antecedem o início, momentos de reflexão interior,  de recolhimento, de entrega ao regaço maternal de Nossa Senhora...  Cada partida tem sempre um certo sabor a novidade, a primeira vez, a virginal... É a longa estrada que se abre, serpenteante, perante nós,  grávida de dificuldades, perigos, mistérios, polvilhada, aqui e ali, pelo neon já gasto dos candeeiros e pelos faróis dos carros que, fugazes, surgem no horizonte e, ignorando-nos, desaparecem para não mais voltarem...
Após o Trancão, a primeira curva à direita, uns metros mais e Sacavém... as suas luzes... as suas sombras... as suas gentes ficam, definitivamente, para trás... Pela frente... o futuro...

























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