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domingo, 3 de agosto de 2014

Peregrinação a Fátima 2014 - Quarto dia - III

Tinha escrito um texto a acompanhar  as imagens de hoje... mas... acabei de o apagar. Era como que a segunda parte do final do texto de ontem... com uma personagem central... um português dos dias de hoje... referência para muitos... não para mim... nem pouco mais ou menos... mas... de facto... Nossa Senhora tem razão... Não era um texto muito digno de figurar neste tema... Era demasiado satírico... demasiado sarcástico... por isso... segui o Seu conselho e apaguei-o... O que me deixou perante um problema... O que escrever a esta hora da noite...? 
- Podias ter avisado mais cedo...
- Pensei não ser necessário alertar-te... que a tua própria consciência o fizesse... mas... pelos vistos... enganei-me...
- Não estava assim tão mau...
- Pois não... estava péssimo... Já sabes o que penso das tuas larachas e das tuas graçolas de mau gosto...
- Por sinal pensei ver o Teu rosto esboçar um sorriso quando o lias... 
- Viste bem... mas era um sorriso de tristeza...
- De tristeza...? O texto não tinha nada de triste... pelo contrário Ho...Ho...Ho... (tipo Pai Natal)
- Pois não... a minha tristeza era por verificar que há palermas que escrevem coisa daquelas... Gostava que alguém escrevesse algo parecido sobre ti...?
- Eu não me ponho a jeito...
- Tens a certeza...?
- O melhor é deixarmos esta conversa para depois que ainda tenho que escrever umas linhas...


A chegada a Casais Robustos significa o culminar da parte mais complicada da subida à Serra D'Aire. A partir daqui começamos a descer até Minde, o que permite relaxar os músculos que foram obrigados a trabalhar na subida. No entanto, descer é quase tão complicado como subir pelo que o esforço tem que continuar a ser gerido. O percurso até ao almoço, no Covão do Coelho, ainda é longo, e estamos já no quarto dia de  caminhada. 















sábado, 2 de agosto de 2014

Peregrinação a Fátima 2014 - Quarto dia - II

A subida da Serra  d' Aire tem, sempre, uma simbologia muito própria. É dos momentos desta peregrinação que mais me envolve. Recordo-me que, em 2013, esta subida foi feita, debaixo de uma temperatura gélida, muito próxima dos 2º C, e contra um vento fortíssimo que nos empurrava para trás, qual Adamastor dos tempos modernos procurando preservar a virgindade daquelas paragens.
Este ano, embora estivesse fresquinho, a temperatura não estava tão baixa, nem o vento soprava  com a voracidade de então. Apesar das condições climatéricas não terem sido tão adversas, há sempre um quê de místico, nesta subida, quer pela hora do dia em que ela se faz (entre a madrugada e a manhã) quer pelo esforço solitário que nos é exigido (apesar de integrados num grupo, o esforço, o espirito de sacrifício, o sofrimento, é algo absolutamente pessoal e intransmissível) quer ainda pela simbologia própria que, normalmente, está associada à  montanha, como local iniciático de um trajeto espiritual ascensional, onde o imanente e o transcendente se aproximam... se tocam... e se fundem e, por isso mesmo, local ideal para a comunicação com o divino. Vem-me à memória a  Subida do Monte Carmelo de São João da Cruz, e numa muito rápida passagem pelas Escrituras, recordo, nos  Reis, as revelações de Elias no Horeb, no Êxodo, que Moisés recebeu as Tábuas da Lei no cimo do Monte Sinai, em Mateus, o Sermão da Montanha e muito especialmente uma notável passagem de Marcos (9, 2-4), onde esta simbologia é explícita: "E seis dias depois Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou, (...) a um alto monte e transfigurou-se diante deles... E as suas vestes tornaram-se resplandecentes, brancas como a neve (...) E apareceu-lhes Elias e Moisés e falavam com Jesus..." 
Olhando para cada um dos Caminhantes, vendo-os subir, um a um, estas íngremes rampas, recolhidos na sua própria espiritualidade, na sua inabalável crença em Nossa Senhora, na sua vontade férrea em cumprir a missão a que se propuseram, vieram-me à memória todos aqueles portugueses que ajudaram com a sua perserverança, a sua fé, a sua coragem, a construir o que Portugal é hoje. Vendo Dª Ermelinda, o Sr. Luís, a Dª Eva, o Sr. Fernando, a Dª Elisabete, Carlos, Dª Helena, Luís Barrento, Dª Marília, João Apolinário e todos os outros Caminhantes, vejo D. Afonso Henriques enfrentado os cinco reis Mouros, a Rainha Santa Isabel desdobrando o seu manto em vermelhas rosas, D. Nuno Álvares Pereira derrotando os castelhanos em Aljubarrota, Bartolomeu Dias a dobrar o Cabo da Boa Esperança, Pedro Álvares Cabral enfrentando as altaneiras vagas do Atlântico rumo ao Brasil, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens explorando a floresta africana, Amália cantando Lágrima, ou Agustina escrevendo Adivinhas de Pedro e Inês... Vós Caminhantes de hoje, de ontem e de sempre... Vós sois os meus Heróis...






































































































s depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-se diante deles;
E as suas vestes tornaram- se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia branquear.
E apareceu-lhes Elias, com Moisés, e falavam com Jesus.

Marcos 9:2-4

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Peregrinação a Fátima 2014 - Quarto dia

O quarto dia da Peregrinação a Fátima iniciou-se cedinho, com um suave restolhar, feito de murmúrios estremunhados,  sinais de sonolência e movimentos apressados, que indicavam estarmos entre as 3:30 e as 4:00 horas da manhã deste novo dia.
A madrugada estava fresquinha, mais fresquinha do que as anteriores, o que não admirava face ao nosso progressivo movimento para norte e à proximidade da Serra D'Aire de onde distávamos poucos quilómetros. 
A primeira oração pública do dia antecedeu a partida simbólica até à pasteleria onde tomámos o pequeno almoço e, depois deste, a partida real, rumo a Fátima. Foi o último dia de caminhada que nos levaria até ao Santuário Mariano, através de um percurso que, nomeadamente nesta primeira parte da manhã, não era fácil. 
Após alguns quilómetros mais ou menos planos, logo à saída de Alcanena, a subida da Serra até Moita Vendas, e desta a Casais Robustos, não sendo muito extensa, tem um grau de inclinação apreciável, pelo que cada Caminhante tem que exigir de si mesmo um esforço suplementar para ultrapassar a subida, o que todos conseguem, com maior ou menor dificuldade. E, naturalmente, toda as loas devem ser dirigidos a quem, indo ao fundo de si mesmo buscar as últimas reservas de energia... a quem... como diz o poeta "(...) no seu corpo já afogado em crepúsculo/Só existe a vontade a comandar avante"... a quem... conseguiu ultrapassar todas as dificuldades e com um sorriso nos lábios... acompanhar o resto do grupo...

























































































sexta-feira, 25 de julho de 2014

Peregrinação a Fátima 2014 - Terceiro dia - IX

Neste terceiro dia pernoitámos no ginásio da Escola Secundária de Alcanena. Foi a única noite em que todos os Caminhantes partilharam o mesmo espaço de repouso, o que em nada perturbou a paz e a tranquilidade do grupo. O tempo que medeou entre a chegada à Escola e o jantar não foi muito pelo que, para a maior parte de nós, o merecido banho acabou por ficar para mais tarde, para depois da digestão quando a noite já descera sobre todo o horizonte.
Foi um dia duro, que exigiu de todos um grande esforço físico, mas todos os Caminhantes, como maior ou menor dificuldade (e, neste domínio, os louros devem ser sempre para quem chega com mais dificuldade), terminaram, com um sorriso nos lábios, mais esta etapa rumo a Fátima.