terça-feira, 5 de novembro de 2013

Construção do Deus Ganesh

Decorreram, durante o passado mês de Setembro, no Templo de Radha Krishna, lideradas pelo sacerdote do Templo, Niteshkumar Trivedi , as cerimónias em honra do Deus Ganesh, o Ganesh Utsav. No âmbito do hinduísmo o Deus Ganesh é a divindade associada ao raciocino lógico, à inteligência, ao sentido prático e ao bom senso. A sua importância é tal que, normalmente, é invocado antes de qualquer evento de relevo como uma viagem, uma reunião de negócios, a construção de uma casa entre muitos outros.
Do ponto de vista mitológico Ganesh   é filho de Shiva e Pravati. Num dia em que Shiva estava ausente, em meditação, nas montanhas (Himalaias)  Pravati moldou o filho a partir da pasta que Shiva usava para tomar banho e insuflou-o de vida.  Quando ele cresceu incumbiu Ganesh de guardar a porta de casa, sempre que se banhava, para não ser supreendida nesse momento mais delicado. No dia em que Shiva regressou ao lar Ganesh não o conhecendo impediu-o de passar. Lutaram e Shiva decepou-o com o seu tridente. Pravati, desesperada, exigiu que o marido trouxesse Ganesh de volta à vida e, pese embora os seus esfoços, a cabeça não foi encontrada. Shiva ordenou então aos seus homens que lhe trouxessem a cabeça do primeiro ser que lhes aparcesse ao caminho. Esse ser foi um elefante a quem foi cortada a cabeça e colocada por Shiva no corpo de Ganesh que, desta forma, regressou à vida. Ganesh é assim, representado com a sua cabeça de elefante e  é, sempre, acompanhado por um pequeno rato que lhe serve de meio de locomoção. Entre as múltiplas interpretações que a figura do rato pode adquirir, neste contexto, uma das mais fecundas parece-me ser a que, ao conotá-lo com o sentido geral da obscuridão e da ignorância, lhe abre, simultaneamente, a eterna possibilidade de encontrar o caminho da iluminação espiritual. 










































































































































































































segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Contos da madrugada tardia... Tenho saudades tuas...

Tenho saudades tuas... muitas... e... não sei quando te voltarei a ver... ou... se te voltarei a ver... Enfim... se tem que ser assim... Se é assim que está escrito no Livro da Vida...
Eu sou um velho lobo solitário que vagueia pela floresta, em busca sabe-se lá de quê... Recuso integrar as alcateias, escapo-me dos grupos tresmalhados, tento evitar os caçadores, furtivos e não furtivos, as armadilhas para lobos e para lorsos (uma combinação de lobo com urso; creio mesmo que terei uma costela de lorso) e refugio-me nas escarpas nuas e inóspitas das Montanhas Selvagens. Quando a madrugada entra, subo ao topo do mais alto penhasco das redondezas e uivo à lua as minhas venturas e  desventuras.
Tu, por sua vez, és a bâmbi mais linda da floresta e vives junto ao paradisíaco lago das Fontes Sagradas, onde cisnes imperiais, alvos como a neve, se deslocam entre tufos de nenúfares... e pequenos cardumes de trutas, da cor do arco-íris, se entretêm a mergulhar naquelas águas cristalinas. Em redor, arbustos de médio porte desenham corações atravessados por pequenas setas douradas, onde estão dissimuladas armadilhas para lobos e para lorsos.
Por vezes, quando vagueio, anónimo e errante, por pequenos montes nas cercanias, olho para baixo e vejo-te, linda e graciosa, passeando pelos tapetes de relva, conversando com outras bâmbis, ou simplesmente descansando à beira do lago.  Nessas alturas, esqueço-me do tempo, do espaço, da própria floresta e até dos caçadores furtivos e não furtivos (o que já me ia custando umas quantas cicatrizes) e deixo-me enlevar nos meus próprios sonhos e desejos... Mas é por pouco tempo... porque... ou tu te retiras para locais mais discretos... ou eu tenho que seguir o meu caminho...  ou... PUM... aí vem caçador...
À noite, no dealbar da madrugada, subo, devagar, ao penhasco mais alto das Montanhas Selvagens e uivo à lua  a ventura desse dia. Se uma destas noites acordares, quando a noite já está cansada de ser noite  mas ainda não consegue ser manhã, e ouvires um lobo a uivar no horizonte, não te assustes. Sou eu a contar à lua a felicidade que me proporcionaste nesse dia. Eu sei que as bâmbis não vão à janela a essa hora da noite, mas, se fosses, podias ver um fantástico bailado, a desenhar no negro céu, o teu nome em estrelas de prata ヘレナ. 
20/6/2012

Nota informativa

Como os meus caros visitantes já repararam houve uma alteração na metodologia de lançamento dos diferentes eventos neste Blog. Deixei de os sintetizar, publicando aquelas que considerava ser as fotos mais representativas, e passei a detalhá-los, ou seja, publicando quase todas as fotos minimamente aceitáveis. Embora a publcação de artigos tivesse pasado de bidiária a  diária, tal alteração de metedologia provocou algum atraso na publicação dos diferentes eventos. Assim, e porque compreendo que as pessoas se podem sentir algo preocupadas, sobre se e quando as fotos serão publicadas, aqui deixo a ordem pela qual tal publicação será efetuada e que será, quase sempre, respeitando a ordem cronológica dos mesmos:
- Cerimónias em honra do Deus Ganesh 
    Construção da estátua, 
    Ganatapi Sthapna Pujan
    Ganesh Visarjan
- Aniversário da Catedral de S.Martinho de Dume
- Abertura do ano letivo no IPE
- Noites de Navrati
- Ghattah Sthapana Pujan
- Aniversário  do Templo de Radha Krishna

domingo, 3 de novembro de 2013

sábado, 2 de novembro de 2013

Contos da madrugada tardia... Há muito... muito tempo...

Há muito, muito tempo... tanto tempo que o próprio tempo não sabia há quanto tempo... num lugar remoto... longínquo... indeterminado... provavelmente numa proximidade geográfica com aquelas elevações que, milénios mais tarde, vieram a  ser chamados Montes Hermínios... vivia uma Princesa... muito... muito... muito bonita... Os seus olhos, cor de cereja-do-sul, refletiam flocos de infinda ternura... O cabelo curto, negro como azeviche, era sulcado por pequenos veios de prata, alguns dos quais terminavam numa relíquia muito rara... sob a forma de um... caracol rebelde... O nariz e a boca formavam um par perfeito que parecia terem sido desenhados especialmente para aquele rosto... O sorriso... o sorriso... era simplesmente deslumbrante e derretia até o coração mais empedernido... A Princesa era tão bonita que a própria palavra "bonita" apenas passou a existir a partir do momento em que a sua beleza se declarou ao mundo... Tão bonita que, em sua honra, as aves do céu voavam em círculos... desenhando corações atravessados por setas flamejantes...   e... os animais mais ferozes... tornavam-se subitamente tão cândidos quanto embevecidos... quando a viam a passear pelo bosque adjacente... Todas as pessoas do reino pagavam um tributo financeiro... imposto pelo tesoureiro real... o famigerado Gaspar... homem de fala lenta e arrastada... e um  dos mais odiados personagens do reino... Aquele tributo era pago, apesar de tudo, de bom grado, pelos súbditos, para poderem olhar o rosto lindíssimo da Princesa... Não de muito perto, claro... Talvez... a uns 100 metros...  Mais perto do que esta distância era contraproducente... pois...  algum daqueles cidadãos... pouco habituado a tanta beleza... podia esquecer-se da distância social e fazer-lhe uma banal declaração de amor.... Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr... Por isso mesmo, o já referido Gaspar... aconselhado por alguém que ficou para sempre desconhecido (consta que um animal feroz, de contornos lupinos, lhe terá aparecido em sonhos, arreganhando uns incisivos poderosos... e responsabilizando-o, pessoalmente, por  uma eventual declaração daquele tipo)... congeminou uma coima pesadíssima a quem se atrevesse a pisar a linha dos 80 metros de proximidade... (Consta ainda  que, pouco tempo depois... perturbado por aquele sonho recorrente, terá resignado ao cargo... sendo substituído pela sua adjunta na Tesouraria Real...  que... na tentativa de arrecadar mais receita para o reino... permitiu a aproximação a 50 metros... mediante coima ainda mais pesada... Ainda segundo versões da época... parcialmente confirmadas... o cenário onírico tornou-se quase dantesco, para a titular daquele cargo, pois, daí em diante, em noites de Lua Nova, passou a  emergir nos seus sonhos um ser conhecido como Homisobo, meio homem meio lobo, que a manteve sob a mesma pressão... A referida tesoureira... desesperada... procurando irradiá-lo dos seus sonhos... à tesourada... passou a cortar em tudo o que mexia... ordenados, pensões... por aí fora... em sucesso... claro...) O nome da Princesa estava protegido pelo código secreto dos Sete Mágicos da Atlântida e aquele que o pronunciasse em público era severamente punido... pois a Princesa escondia-se imediatamente e apenas reaparecia por um fugaz momento... Diz a lenda que, em tempos idos, um cavaleiro errante e desconhecido, com intenções dúbias e... provavelmente... inconfessáveis... que por aqueles lugares se aproximou... perdeu a cabeça... e o coração... por tão linda Princesa e teve a veleidade de escrever numa folha de papiro apenas algumas das letras do seu nome... Ela escondeu-se imediatamente... e o desdito cavaleiro... (ou seria cavalheiro?) tão triste se sentiu... que partiu para terras de além mar... e nunca ninguém mais o viu... 
17/1/2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013